2025 foi daqueles anos que o torcedor do Flamengo vai contar para os netos com o olho brilhando. Teve taça, teve Maracanã pulsando como se tivesse vida própria, teve time jogando com autoridade de protagonista de filme épico. O Flamengo entrou em campo como quem sabe o roteiro inteiro e ainda improvisa as melhores cenas. Foi dominante, foi cascudo, foi campeão.

Só que 2026 começou com outro clima. Não é crise declarada, não é terra arrasada. É mais aquela sensação de segunda-feira depois de um feriado prolongado. O time parece ainda tentando encontrar o próprio ritmo, como se o motor estivesse ligado, mas girando abaixo da potência máxima. Os resultados do início do ano mostram isso. Poucas vitórias, tropeços que não combinam com o padrão recente e uma defesa que tem sofrido mais do que o torcedor se acostumou a ver.

Parte disso tem explicação clara. O calendário de 2025 foi insano. Jogos em sequência, decisões, viagens, pressão. O elenco praticamente emendou uma temporada histórica na outra, com férias curtas e pré-temporada comprimida. O corpo sente. A mente também. E quando a perna pesa meio segundo a mais, aquele bote não chega, aquele passe sai um pouco torto, aquele contra-ataque vira susto.

Dentro de campo, o Flamengo ainda tem lampejos do time campeão. A qualidade está ali. O elenco continua forte, recheado de nomes que decidiram campeonatos importantes. Mas falta encaixe, falta intensidade constante, falta aquele ar de inevitabilidade que marcou o ano passado. Em vez de impor o jogo, o time tem oscilado. Em vez de sufocar, tem sido pressionado em alguns momentos.

A torcida, como sempre, vive entre dois polos. Uma parte pede calma, lembra que o ano é longo e que ninguém desaprende a jogar futebol de um mês para o outro. Outra parte já começa a cobrar mais energia, mais foco, mais resposta imediata. E no Flamengo, cobrança nunca é sussurro. É sempre em volume máximo.

O fato é que ainda estamos no começo da temporada. Campeonato Carioca não define destino de ninguém, e o Brasileirão mal começou a mostrar suas cartas. O elenco tem qualidade suficiente para reagir, ajustar a marcação, recuperar a confiança e voltar a embalar. Se 2025 foi um espetáculo grandioso, 2026 ainda está no primeiro ato.

Talvez o Flamengo não esteja exatamente em ritmo de férias. Talvez esteja em fase de recalibragem, reorganizando as engrenagens depois de um ano que exigiu tudo. E quando esse time encaixa, a gente já sabe o que acontece. A questão não é se pode voltar a jogar em alto nível. A questão é quando vai virar a chave. E no Flamengo, essa virada costuma acontecer quando menos se espera. 🔴⚫

Por Base Livre

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