James Gunn tem um jeito muito particular de falar sobre personagens da DC. Quase nunca parece postagem automática de estúdio. Sempre existe alguma leitura emocional ali no meio, algum comentário que revela mais sobre a visão dele do que propriamente sobre a publicação em si. E foi exatamente isso que aconteceu quando o diretor resolveu celebrar o aniversário de estreia de Brainiac nas redes sociais.

Ao compartilhar uma arte do vilão e comentar sobre a primeira aparição histórica do personagem em Action Comics #242, Gunn soltou uma definição que imediatamente acendeu o radar dos fãs do novo DCU:

“Brainiac é o que acontece quando a inteligência perde TODA a conexão com a humanidade. E o Superman é tão humano quanto qualquer um, então… eu entendo por que eles têm uma treta.”

Pode parecer apenas uma legenda divertida à primeira vista, mas ela provavelmente resume toda a essência da relação entre Superman e Brainiac no novo universo cinematográfico da DC.

E sinceramente? Isso soa exatamente como o tipo de conflito que muita gente queria voltar a ver em um filme do Homem de Aço.

A declaração de Gunn deixa claro que o foco não deve ser apenas um confronto de escala gigantesca ou uma ameaça espacial qualquer. O embate parece caminhar para algo muito mais ideológico. Brainiac não é apenas poderoso. Ele representa uma visão completamente fria da existência. Um intelecto absoluto que olha para civilizações, culturas e vidas como peças de arquivo, números catalogados ou espécies para coleção.

Do outro lado está justamente o Superman, um personagem que funciona porque nunca foi definido pelos poderes. O que torna Clark Kent especial é a humanidade dele. A criação em Smallville. Os valores herdados dos Kent. A capacidade de sentir empatia mesmo sendo um alienígena criado longe de Krypton.

E talvez seja aí que James Gunn tenha encontrado o eixo emocional perfeito para esse confronto.

Nos quadrinhos, Brainiac sempre carregou uma aura quase desconfortável. Existe algo perturbador naquele visual mecânico, naquela lógica sem emoção e naquela obsessão por controlar conhecimento e preservar mundos como troféus. Não por acaso, muitos fãs consideram o vilão uma das ameaças mais subestimadas da galeria do Superman justamente porque ele desafia o herói em um nível que vai além da força física.

A própria menção direta à Action Comics #242 também parece carregada de intenção. Foi nessa edição que a DC apresentou conceitos fundamentais da mitologia kryptoniana ligados ao Brainiac, incluindo a famosa Cidade Engarrafada de Kandor. E considerando o quanto Gunn gosta de mergulhar em elementos clássicos dos quadrinhos, fica difícil não imaginar que o novo filme possa finalmente explorar esse lado mais cósmico e emocional da história do Superman no cinema.

Isso conversa bastante com os rumores envolvendo Superman: Man of Tomorrow. As gravações já estão acontecendo, e várias pistas espalhadas nos bastidores sugerem um filme muito mais grandioso em escala do que o primeiro longa do DCU. Desde o suposto visual tecnológico de Brainiac até teorias envolvendo Lex Luthor e ameaças interplanetárias, tudo indica que Gunn quer levar o Superman para um território de ficção científica mais pesado, algo que o personagem sempre teve nos quadrinhos, mas raramente ganhou espaço nas adaptações modernas.

E existe outro detalhe curioso nisso tudo: a estética da arte compartilhada por Gunn passa uma energia quase de horror sci-fi. Brainiac aparece como uma presença gigantesca, elétrica, caótica e intimidadora. Não seria surpresa nenhuma se o diretor usasse o personagem para empurrar o DCU para gêneros diferentes dentro da própria estrutura de super-heróis, algo que ele já demonstrou querer fazer desde o início da nova fase da DC Studios.

No fim das contas, talvez o aspecto mais animador dessa postagem seja justamente perceber que James Gunn parece entender algo essencial sobre o Superman: o personagem funciona melhor quando o coração da história vem antes da destruição em CGI.

Se Brainiac realmente for tratado como a personificação da inteligência sem humanidade, então o filme automaticamente transforma Superman no oposto absoluto disso. Não apenas um símbolo de esperança, mas alguém que prova que sentir, se importar e manter empatia ainda é a maior força que alguém pode ter.

E honestamente? Isso parece muito mais interessante do que simplesmente assistir dois personagens absurdamente poderosos trocando socos no espaço.

Superman: Man of Tomorrow tem estreia prevista para julho de 2027.

Por Aldemir Silva | Base Livre

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